Saturday 31st of October 2026

É como The Mentalist, Mas em Mangá Josei. Resenha de Don't Call it Mystery nº 10

É como The Mentalist, Mas em Mangá Josei. Resenha de Don't Call it Mystery nº 10

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DURO OTONITY – Um mangá de mistério josei em que a força dos diálogos ocupa o centro do palco. Resenha de *Don’t Call it Mystery* nº 10. Ainda acho uma pena que *Don’t Call it Mystery* não tenha tido melhor desempenho na Espanha e que as vendas tenham levado à fragmentação de sua serialização, já que continua sendo um dos mangás josei que mais se destaca em termos de diálogos.

É verdade que um intervalo de um ano entre os volumes não ajuda a dar segurança à continuidade narrativa, e um dos maiores contratempos que enfrentei ao retomar a leitura foi ter, de fato, esquecido várias coisas. Por se tratar de uma história que prende a atenção com sua narrativa, fica difícil lembrar.


O que mais me impressionou no mangá de Yumi Tamura quando ele chegou ao nosso país foi sua profundidade psicológica. Com notável facilidade, em apenas alguns capítulos ela demonstrou que a sua obra era pouco convencional, tanto no tratamento dos personagens quanto nas relações entre eles dentro da história.

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De certa forma, poderia-se até dizer que ela se manifestou como uma versão muito mais sutil e menos agressiva de Simon Baker no papel de Patrick Jane.

Até certo ponto, poderia-se até afirmar que *Don't Call It Mystery* é *The Mentalist* na versão mangá josei, já que seu protagonista (Totono) tem o dom de entrar na mente das outras pessoas.

Sem manipular os outros e com uma personalidade muito menos assertiva, ele lembra aquele personagem. Por meio do diálogo, ele consegue obter respostas que a maioria de nós nem sequer imaginaria. Ele raciocina de uma maneira muito particular e incomum. Quase não faz sentido, mas ele sempre encontra uma maneira. Essa é a sua magia. Ele é coerente, lógico e natural. Não parece forçado.

 

De fato, uma das qualidades deste décimo volume — depois de reler o nono, pois realmente não me lembrava bem dele, embora não tenha sido um sacrifício, já que ainda gosto bastante do mangá — é justamente esse diálogo de que já falei.

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Ele continua sendo um dos grandes pilares da obra. E, sem recorrer a grandes cenas de desastre ou a um hiperclimax narrativo que se destaque pelo poder dos diálogos destinados a encerrar tudo, a série sempre mantém um alto nível, mesmo com uma narrativa que não busca picos dramáticos.

Basta colocar o protagonista diante de outras pessoas em uma situação mais ou menos extravagante — e a desses dois últimos volumes é, pelo menos se lembrarmos que ele é um civil — para que ele dê asas a toda a sua eloquência sempre peculiar e nos deixe mais do que satisfeitos.

Mas por que essas conversas são tão marcantes? Bem, porque elas realmente não parecem um mero pretexto para o desenrolar do mistério. Há algo mais por trás de cada troca de palavras. O que poderia parecer uma frase inocente acaba se tornando algo mais, adquirindo um segundo significado que só Totono é capaz de perceber.

Quando ele começa a seguir a pista, a argumentar, a deduzir e a investigar, ele extrai ouro do que parece ser uma montanha de areia. É por isso que ele é tão cativante. Porque é capaz de criar mistérios e resolvê-los, seguindo uma linha de observação comportamental e de conversas. Ele usa o raciocínio puro para criar momentos marcantes.

Da mesma forma, continuo gostando muito da maneira como a autora usa sua protagonista para questionar as atitudes das pessoas ao seu redor. E sem qualquer vergonha, o que sempre me diverte. A questão é que ela não é uma personagem que encontra respostas por ser mais inteligente do que todo mundo.

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